11 de maio de 2017

Diversificando os espaços do brincar


Vamos fazer comidinha?
Imagem Dulci Dantas


No post Como organizar brinquedos, mostrei fotos aqui de casa, da estante de brinquedos da minha filha e como os guardamos. Além do quarto dela, criei um outro ambiente de brincadeiras na área de serviço, ao lado da cozinha. Com apenas um ano e meio de vida, Melina ganhou esta cozinha de presente de Natal. Ela adorou, e até hoje brinca bastante com ela. 

A dica para colocar essa mini-cozinha na área de serviço veio de uma amiga minha. O filho dela também tem uma cozinha igual, e enquanto ela fazia o almoço, o menino brincava de fazer comidinha. Achei genial, e aceitei a dica. Todas as vezes que eu ia cozinhar o almoço, Melina ficava pedindo minha atenção. Com essa nova área de brincadeiras pertinho da cozinha, tudo mudou. Enquanto eu cozinhava o almoço, ela brincava de fazer comidinha no fogão dela. 

Contudo, o fogão traz um grande número de componentes como panelas, bule, xícaras, pratos, talheres, saleiro e pimenteiro. Melina espalhava tudo pela área de serviço. Depois de servir o almoço e lavar a nossa louça (a de verdade), eu tinha que ficar catando aquela "segunda louça" espalhada no chão. Foi aí que eu tive uma idéia de utilizar uma cestinha que eu tinha no meu banheiro (coincidentemente da mesma cor do fogão), para guardar toda a "mini-louça". Levou um tempinho para eu educar a minha filha para, ao terminar de brincar, recolher todas as peças da brincadeira dentro da cestinha. Mas logo ela entendeu, e hoje fica fácil pôr ordem na bagunça da cozinha dela.





Acima, vocês podem ver à esquerda como o fogão deveria ficar montado. Qual a chance de uma criança de dois anos colocar todos os itens nos seus devidos lugares? Já na foto da direita, como o brinquedo fica guardado no dia-a-dia. Muito mais fácil, prático e ao alcance da criança. 


A cesta funciona como um escorredor de pratos. Acabou a comidinha? Vai tudo pra cesta.
Imagem Dulci Dantas


Cestinha básica comprada na Multicoisas. 
Imagem Dulci Dantas


Uma vez por mês, eu chamo Melina para limparmos o fogão - tarefa que ela adora! Passamos um paninho úmido por todo o fogão, tiramos todo o pó que acumula. E, depois, vamos para a pia da cozinha lavar toda a "louça". Melina tem um avental do tamanho dela que eu comprei na feira, para utilizar durante a função.  Lavamos tudo e colocamos na cestinha para escorrer e secar. É uma atividade que ela curte e que ensina a ter zêlo pelo brinquedo, além de educá-la para a sua própria vida doméstica futura.

A idéia de diversificar os espaços do brincar da criança é muito válido. É uma ilusão pensar que ela vai brincar somente no quarto dela. E, para evitar que toda a casa vire um playground, com brinquedos espalhados por todos os cantos, o ideal é criar espaços bem delimitados e organizados para as diversas brincadeiras. As crianças entendem bem esses limites quando, uma vez dentro deles, são livres para brincar. Em outras palavras, quando Melina está na cozinha dela, pode espalhar colheres, copinhos, pratos e panelas. Mas estes dificilmente vão para a sala ou para o quarto. Com isso, a criança brinca livre dentro do espaço definido pelos pais e, depois que termina a brincadeira, fica fácil para ela e para os pais recolherem tudo e recolocar as coisas no seu devido lugar.



25 de abril de 2017

Memória afetiva

É no cotidiano que construímos nossas memórias afetivas.
Imagem Dulci Dantas



Nas últimas semanas tive contato com fatos interessantes na vida de duas amigas. Uma delas, médica em missão com os Médicos sem Fronteiras, relatou a dura e triste realidade das crianças atingidas - no corpo e na alma - pela guerra no Iraque. A minha outra amiga, vizinha e mãe de uma amiguinha da minha filha, foi chamada na escola. Com o coração apertado, ela foi conversar com a professora. O que seria? A escola queria conversar com a mãe porque a pequena estava abraçando demais os coleguinhas. Alguns ficavam até bravos, pois a menina abraça com gosto, abraço de alegria, de afeto, de carinho. Quando ela e minha filha se encontram sempre rola o maior abraço de felicidade. A minha amiga, um pouco atônita, compartilhou essa experiência no perfil dela em uma rede social. Eu, que acabara de ler o relato da minha primeira amiga médica, respondi para minha amiga vizinha:"O mundo vai ter que se acostumar com o Amor!".

De um lado do mundo a infância que chora. Do outro lado, a infância que abraça. Quando foi que abraçar virou problema de disciplina escolar? Não consegui resistir a juntar os dois acontecimentos, misturá-los dentro de mim e fazer a seguinte pergunta: É possível que, num mesmo mundo, crianças sejam repreendidas por abraçar os amigos, enquanto outras morrem asfixiadas por efeito de armas químicas?

Tudo isso me fez refletir ainda mais sobre um assunto no qual venho pensando há tempos, desde que minha filha nasceu: Memória Afetiva.

O nascimento dos filhos parece ter o poder de resgatar do fundo de nós camadas sedimentadas de sentimentos, sensações e experiências. Desde o primeiro momento de vida de Melina, me senti profundamente responsável por criar as condições mais favoráveis para que ela possa construir suas próprias memórias afetivas, de maneira positiva e saudável. E então descobri que isso envolve tudo: A vida com todas as suas facetas, todos os dias e momentos de convivência, e também de ausência. Desde a maneira como você desperta a criança pela manhã e lhe dá bom dia. Os alimentos que você oferece a ela, e como compartilha as refeições em família. O contato visual que fazemos com a criança, quando ela precisa se sentir segura, reconhecida, vista. O tempo que dedicamos a estar com ela e conhecê-la. Os cuidados no vestir, no banhar, no ninar, no acolher. Em como transformamos momentos simples e cotidianos em memórias da infância de um ser humano, que nós decidimos trazer para o mundo. Memórias que fundam a base emocional, que escrevem os primeiros capítulos de uma história de vida. Foi então que o relato da minha amiga médica me impactou de uma maneira profunda. O que está sendo impresso na memória afetiva das crianças que têm sua infância agredida pela guerra? 

Mas, se nem todos nós podemos atuar diretamente para amenizar as dores do mundo, podemos sim contribuir para que as nossas crianças construam suas memórias afetivas de maneira saudável e feliz. Como ajudá-las a criar essa base emocional que sustentará os adultos que elas serão? 

Devemos ter em mente que a rotina, bem como a sua quebra, pode gerar memórias afetivas aconchegantes, nas quais estes seres humanos se reconfortarão e sustentarão durante toda a sua  jornada. Estar presente e atento ao momento vivido é fundamental para criar valor emocional a partir  de atitudes aparentemente simples, e até repetitivas do nosso cotidiano: A lembrança de um pai que chega sempre acompanhado do melhor cheiro de pão quentinho do mundo. A mãe que oferece o abraço perfumado na saída da escola. A visão das folhas dançando ao vento, no vai-e-vem do balanço da pracinha. O gosto salgado de uma praia que marcou todo o corpo, todos os sentidos, durante as férias. A sensação refrescante e alegre de pular em poças d'água em um dia quente de verão. A lembrança de músicas cantadas dentro do carro ao ir para a escola ou durante uma viagem.


Felicidade é pular em poças d'água.
Imagem Dulci Dantas



Infelizmente, a infância do nosso tempo é constantemente ameaçada por guerras, violência, abandono, pobreza extrema e negligência. Mesmo a infância privilegiada, a que está livre destes problemas agudos, tem sido muito privada da convivência com os pais e da vivência de momentos simples e prazerosos. A pressa, a ausência, a ansiedade, o trabalho excessivo, a falta de tempo, a tecnologia viciante são elementos nocivos a construção de momentos saudáveis, capazes de imprimir felicidade, auto-estima e segurança na memória afetiva de nossas crianças.


19 de abril de 2017

Um bom lar para toda a vida


Imagem Dulci Dantas



"E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus."  
Fabrício Carpinejar em Todo filho é pai da morte de seu pai.



Em seu belo, porém atordoante texto Todo filho é pai da morte de seu pai, Fabrício Carpinejar abraça e revela um cenário que parece ser o cotidiano de um número cada vez maior de famílias: O envelhecimento dos pais. Depois que meu pai e meus sogros envelheceram, enfraqueceram, adoeceram e ficaram acamados, descobri que quase todo mundo tem uma história parecida para contar. E, após viver essa experiência três vezes - primeiro com minha sogra, meu pai e por último meu sogro - e depois de conversar com pessoas que viveram situações semelhantes, posso dizer que tive um aprendizado especial para a minha vida. Um deles foi sobre a importância de cuidar do nosso lar até o fim e, principalmente, para que possamos ter um bom fim. 

Quando nos casamos e constituímos uma família, a casa cheira a nova. Móveis novos, pintura nova, tapetes novos. Enxoval novo. A vida passa, as décadas voam e a casa se desgasta. É normal. Algumas pessoas tem espírito "zelador", como meu pai tinha. Zelador na profissão e também na sua vida doméstica, meu pai mantinha a casa sempre impecável. Pintava todos os cômodos a cada três anos. Mandava forrar sofás que rasgavam, consertar eletrodomésticos que pifavam ou substituía-os por novos. Não era rico - longe disso - mas era muito cuidadoso e amoroso com seus pertences. Eu costumava dizer que ele era o verdadeiro "dono de casa" da nossa família. 

Essa característica do meu pai garantiu a ele um final de vida com a melhor qualidade de cuidados e habitação possível. Meu pai morreu em casa, como era seu desejo. Já acamado, só saía de casa em cadeira de rodas. Mas seu quarto era impecável. Lençóis de cama sempre cheirosos e passados. Comida boa e caseira, feita na hora. Um banheiro sempre limpo e sem o menor traço de qualquer odor desagradável. Roupas limpas, cabelo lavado, bem penteado, unhas sempre cuidadas. Mas, uma boa parte dessa condição de vida com qualidade, apesar do estado de saúde debilitado devido a um AVC, se devem aos cuidados da família e as condições de moradia que possibilitavam que os cuidados fossem exercidos adequadamente. 

Mas, infelizmente, não acontece assim com todo mundo. Com o passar do tempo e o pesar da idade, muitas famílias vão deixando de lado pequenos reparos e cuidados com a casa. Acham difícil promover uma pintura nova, não atualizam os eletrodomésticos, vão se habituando a móveis e objetos quebrados e, assim, vão levando os dias. É mais comum do que se pode imaginar, encontrar idosos vivendo em residências absolutamente precárias.

É muito difícil para aqueles que não estão vivendo situações de cuidados especiais com idosos, imaginar o quão importante é ter uma casa em dia com sua infra-estrutura, mobiliário e objetos de uso diário. O envelhecimento dos nosso familiares nem sempre é percebido em um primeiro momento. Às vezes, levamos anos para entender e aceitar que nossos familiares, de fato, estão velhos e, em muitos aspectos, incapazes de realizar certas funções e tarefas. Há cinco anos atrás escrevi a este respeito no post A Vida em Transformação. Mas, quando nos deparamos com a necessidade de instalação de equipamentos médicos e cuidados em domicilio podemos ter um choque de realidade. Pois, muitas vezes, percebemos que a casa não está em condições plenas de operar com essa nova condição de vida. 


"Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?".  Fabrício Carpinejar em Todo filho é pai da morte de seu pai.


No que diz respeito ao lar e as condições de habitação, a instalação de um homecare exige um bom funcionamento e aparelhagem da cozinha, banheiros e área de serviço. Se a casa possui uma destas áreas em mau estado, os cuidados e o trabalho de familiares e profissionais, tais como acompanhantes, cuidadores e enfermeiros, ficarão prejudicados.  

Em primeiro lugar devemos fazer a seguinte avaliação geral: A casa está em condições de habitação segura, satisfatória e higiênica para o idoso e para empregados, acompanhantes e cuidadores? A seguir apresento requisitos básicos de alguns cômodos e aspectos da casa que devem ser observados e providenciados.

O banheiro.
Verifique se o aquecimento funciona, se há um bom volume de água nas torneiras e descargas. Providencie tapetes antiderrapantes. Veja se é necessário instalar barras de segurança dentro do box. Cortinas no box são perigosas pois são um falso ponto de apoio. Dependendo da condição de saúde, talvez seja necessário remover o box, para que a cadeira de banho possa ser movimentada dentro do banheiro.
Observe em que condições estão os objetos e produtos de toalete do idoso. Toalhas, pentes, tesouras, cortadores de unhas, lixas, barbeadores, secador de cabelo, saboneteira, shampoos, cremes hidratantes, cremes dentais. Na contratação de um cuidador, ele solicitará todos estes itens. Muitas vezes, os filhos precisam ir correndo na farmácia fazer uma compra de higiene básica para que o cuidador possa trabalhar, sobretudo quando os pais, muito velhinhos, moram sozinhos há muitos anos. 

A cozinha.
Verifique se a geladeira está em condições ideais de manter a comida preservada para que não haja  risco de contaminações. Para uma pessoa idosa ou doente, uma intoxicação alimentar pode ser fatal. É possível reservar uma prateleira da geladeira para a alimentação especial do idoso, evitando assim que potes sejam abertos ou mexidos por engano.
Verifique o estado geral do fogão, se todas as bocas funcionam. Forno de microondas e liquidificador são eletrodomésticos importantes para dietas líquidas ou sopas, muito frequente na dieta de idosos. Bem como uma boa e segura panela de pressão - justamente para cozinhar sopas com maior eficiência e rapidez. Um jogo de panelas básicas e alguns potes para armazenar comida na geladeira, preferencialmente de vidro, pois são mais fáceis de serem higienizados. Uma bandeja para alimentação na cama, se for o caso. Uma louça simples mas adequada ao tipo de alimentação que o estado de saúde exige, como um prato fundo para sopas, potes, canecas fáceis de ser seguradas por mãos frágeis e enfraquecidas. Guardanapos que possam servir de babador e jogos americanos são muito úteis.

Abastecimento de água.
Verifique a origem da água que se ingere na casa. Verifique se os filtros são limpos com frequência, ou os aparelhos onde são acondicionados garrafões. Estes últimos costumam acumular poeira no seu interior.
Uma moringa para água é essencial. Tenha uma daquelas cujo copo serve de tampa, mantendo a garrafa sempre fechada. São muito úteis para se deixar próximo ao idoso, pois nessa fase da vida é comum perder a sensibilidade para a sensação de sede. É preciso oferecer água com frequência, e com a garrafa por perto evita-se o esquecimento e a desidratação.

Área de serviço.
Um cômodo de extrema importância, pois com pessoas idosas ou doentes, sobretudo se acamadas, há uma rotina de faxina além de lavanderia e passadoria de lençóis, fronhas, todo tipo de toalhas e panos de limpeza. Por isso, tente manter a área de serviço destralhada, com espaço livre para trânsito e para um bom desempenho das tarefas necessárias.
Uma máquina de lavar roupas eficiente e em bom estado é imprescindível, bem como um varal e um tanque, este último para deixar roupas e panos de limpeza de molho. As vezes que presenciei o uso mais intenso de uma máquina de lavar roupas em uma casa coincidiram justamente com os extremos da vida: Com o nascimento de um bebê, e com uma pessoa idosa no fim da vida. Acreditem em mim.

O lixo.
Tenha de duas a três latas de lixo médias com tampa. Evite latas de lixo pequenas porque elas não dão conta do recado, além de deixar escapar odores desagradáveis e exigir que sejam trocadas várias vezes ao dia. Uma para o lixo orgânico da cozinha, outro para recicláveis e, se o idoso utilizar fraldas geriátricas, tenha uma lata de lixo somente para este fim, com sacos plásticos em tamanho suficiente para acondicioná-las, bem como lenços umedecidos, papel higiênico e demais materiais descartáveis utilizados para a higiene da pessoa.
Se houver utilização de material médico como sondas e seringas, por exemplo, é necessário um descarte especial. Informe-se como descartar esse material corretamente para não ocorrer contaminação e acidentes com as pessoas que manuseiam o lixo, como a própria família, a empregada ou diarista, os cuidadores e empregados do prédio e lixeiros.
E ainda, certifique-se de ter uma rotina eficiente de saída do lixo, para que não se transforme em um bota-fora contínuo durante o dia e a noite. 

A faxina.
Verifique o arsenal de faxina da casa. Vassouras, rodos, panos de chão, pás, baldes, bacias, prendedores de roupas e produtos de limpeza. A rotina de uma casa onde reside um idoso acamado não combina com sujeira nem desorganização. É preciso ter condições de realizar uma boa limpeza  na casa. 


Em suma, idosos deveriam residir em lares em boas condições de limpeza, infra-estrutura e funcionamento. Mas, infelizmente, nem sempre isso acontece. Muitos idosos passam a residir sozinhos, às vezes sem uma empregada ou diariarista sequer que os auxiliem com faxina e cuidados com a roupa. Nem sempre os filhos são tão presentes como gostariam ou deveriam, devido a atribulada vida de nossos tempos. Ou porque lidar com a velhice dos pais é muito difícil. Ou ainda, porque os pais são teimosos e não aceitam nenhum tipo de interferência na casa, o que é normal, uma forma de tentar manter a autoridade e poder sobre a própria vida até o último minuto possível. Por todos estes motivos, e outros tantos, a residência de pessoas idosas e suas condições de vida podem se tornar muito precárias na reta final, prejudicando enormemente a qualidade dos cuidados necessários. 

Que esta troca de experiência sirva de inspiração - e força - para aqueles que, nesse momento, trocaram de lugar com seus pais, sogros e avós. Aqueles que, sendo jovens, cuidarão de seus velhos. E que o lar continue sendo acolhedor e seguro em todas as fases da vida.



*Este post é dedicado com carinho para minha querida Lucie, meu amado pai Cesário, meu adorado sogro Stephan e meu tio Germano... pela riqueza da convivência e por terem proporcionado preciosas lições de vida até o último momento.



17 de abril de 2017

Sobre estar presente


Com Melina aprendi a ser presente.
Imagem Dulci Dantas


Um dos hábitos mentais que mais me rouba energia e me faz sofrer é a falta de presença. É como se meus pés ocupassem um lugar e a minha cabeça estivesse muito longe dali. Levou um bom tempo para eu perceber como minha mente sempre habitava um lugar diferente daquele que meu corpo ocupava espacialmente. Na verdade, foi graças a um outro ser humano que eu pude  perceber essa desconexão entre corpo (presente) e mente (ausente). Depois disso, constatei com muito choque que passei anos andando por aí sem sequer ver as pessoas que cruzavam meu caminho. 

Com a chegada de Melina em minha vida fui chamada a estar presente - de corpo, coração e mente - o tempo todo. No começo foi muito cansativo e desgastante. Minha mente queria sair correndo o tempo todo, mas meu corpo estava sendo convocado a desempenhar tarefas dentro de um raio muito curto e limitado. Eu, tão acostumada a viajar pelo mundo e com tantas distrações disponíveis para minha mente, estava agora enraizada em casa, com um bebê que solicitava toda minha atenção e foco, por nada menos do que vinte e quatro horas por dia. 

Certa vez, conversando com minha professora de yoga, comentei com ela que, apesar de não conseguir fazer a prática por causa da incompatibilidade de horários, nunca na vida eu tinha praticado o "estar no momento presente" com tanto afinco. 

O processo todo foi - e às vezes ainda é - muito doloroso, porém revelador. Consegui perceber que, parte dos devaneios da minha mente se deviam a cobranças que eu criei para minha própria vida. Se eu estava no fogão cozinhando, a minha cabeça saía correndo para um lugar imaginário onde eu deveria estar trabalhando e ganhando dinheiro, pois eu disse a mim mesma - e acreditei com firmeza - que isso era abandonar "tudo", minha carreira. Se eu estava na pracinha empurrando o balanço, minha cabeça começava a me atormentar porque eu não estava no salão fazendo as unhas, porque eu repetia para mim mesma, com insistência, que eu tinha que estar apresentável o tempo todo, para todos. E se eu estava trocando fraldas, dando banho, arrumando, lavando... minha mente me dizia que eu deveria estar lendo livros. E se eu estava acordada, ela me dizia que eu deveria estar dormindo. E quando eu me deitava para dormir, ela insistentemente me dizia que eu estava jogando tempo precioso fora, deveria ir para algum outro lugar, fazer alguma outra coisa. E assim era a todo instante, em cada lugar que eu punha meus pés, minha cabeça se recusava a aceitar e queria sair dali para outro canto.  


O céu que nos protege.
Imagem Dulci Dantas


Com o passar do tempo, ao longo de mais de dois anos de prática, aprendi a ficar onde meus pés estavam. E foi um assombro enorme, pois nesse dia eu vi o céu, árvores, nuvens, pessoas, "bons dias", uma cidade inteira. De repente uma vida que estava acontecendo ali, bem na minha frente, com olhos vivos e sorriso de dentes de leite. E eu, apesar de todas as infinitas possibilidades, lugares e informações acessíveis, estava apenas aonde meus pés se plantavam, respirando e vivendo. 


10 de abril de 2017

Coelhinho da Páscoa

"Que trazes pra mim?"
Imagens Dulci Dantas 


Na Páscoa do ano passado, minha filha tinha apenas um ano e oito meses de idade. Não seria exatamente uma Páscoa recheada de chocolates, embora ela tenha, pela primeira vez, experimentado dois pequenos ovinhos (essa foi a cota estipulada por nós). Mesmo assim, eu queria criar algo que permitisse a ela comemorar a data festiva. Mas o que fazer para um bebê curtir a Páscoa sem se empanturrar de chocolate?


Siga as pegadas!
Imagem Dulci Dantas


Vi esta idéia em uma revista - cujo nome não me recordo mais, e decidi eu mesma produzir a brincadeira. Foi muito simples. Na véspera da Páscoa, a noite, eu deixei tudo pronto em apenas duas horas. Pela manhã, quando ela acordou e viu as pegadas de coelho pela casa, foi logo tratando de segui-las até chegar na caixa-coelho. Teve a maior surpresa! Ela vasculhou a caixa até conseguir tirar os três balões lá de dentro, e passou o resto do dia brincando com a caixa e os balões. 


Desenhe os olhinhos, os bigodes e a boca com os dentões. Tenha um pouco de paciência ao fazer o recorte da boca. Pode desenhar o nariz ou colar um triângulo feito de cartolina cor-de-rosa.
Você decide como desenhar a carinha do coelho.
Imagem Dulci Dantas



Cole um pedaço da cartolina cor-de-rosa dentro da folha de cada orelha. Se quiser, pode fazer duas pequenas dobras na base das orelhas para dar volume a elas, como eu fiz.
Imagem Dulci Dantas


Para fazer essa brincadeira você vai precisar do material abaixo:

* 01 caixa de papelão (você pode conseguir uma gratuitamente em supermercados e quitandas);
* 02 a 03 folhas de cartolina branca, vai depender do tamanho da caixa que você vai forrar;
* 01 cartolina cor-de-rosa para fazer o interior das orelhas e o nariz;
* 01 caneta pilot de ponta grossa ou tipo "atômico";
* 03 balões nas cores "Azul, Amarelo e Vermelho também"
* Tesoura ou estilete;
* Cola branca para papel;
* As pegadas de coelho eu comprei em uma loja de artigos para festas. Elas são auto-adesivas. Aqui em São José dos Campos eu achei na loja Catavento.


Certifique-se que a caixa tem um tamanho bom para acomodar os três balões dentro dela.
E a abertura da boca deve ser generosa para que os balões passem sem estourar. Para isso, não encha demais os balões.
Imagem Dulci Dantas


Não se preocupe se a forração da caixa ou o traço do desenho não estiverem perfeitos. O meu coelho não estava! A lateral da caixa que eu forrei deu algumas bolhas, porque usei cola demais. E um dos bigodes ficou com traço meio borrado, mas nada disso teve importância. Eu garanto que as crianças nem reparam nestes detalhes. Não deixe de tentar fazer a brincadeira porque você acha que não sabe desenhar ou por puro perfeccionismo. O que vale é o amor e a dedicação. Isso sim, nossas crianças percebem e amam.

Feliz Páscoa!!!